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Mensagens

A mostrar mensagens de Agosto, 2009

Curtas de Verão (XI): Tragédia

Trágico e ser optimista no meio do nada
Porque nada é mesmo isso
Ausência de tudo
E não pouco de muitas coisas
Foto: No canto de nada - NEST1 (olhares.aeiou.pt)

Caminhos Exteriores (I)

Veneza - Itália (Junho 2009)
Foto: Raul Cordeiro

Caminhos Interiores (I)

Castelo Rodrigo - Portugal (Agosto 2009)

Foto: Raul Cordeiro

Curtas de Verão (VIII): Discursos

Fossem Platão e Aristóteles vivos
E dariam voltas e voltas
À espera dos melhores silêncios
No discurso político
E tal seria a revolta
E de alguns, o destino aforístico

Curtas de Verão (VII): Raivar

Quase, quase, me apetecia raivar
Gritar e sucumbir
Às canso-me até de me ouvir calado
De discursar contra a vontade
De ser estátua do silêncio da idade

Curtas de Verão (VI): Ausência

Nada me obriga a fazer nada
Mas faço da vida uma pequena estalagem
E movo a minha vontade
Ao som sereno do invulgar
Parte a minha diligência devagar

Curtas de Verão (V): Erudição

Absorvo da ciência apenas o que não é erudito
O sumo da laranja e do limão
E mais algo que possa segurar nas costas da mão
Num equilíbrio imperfeito
Onde gravo os olhos e a razão

Curtas de Verão (IV): Sossego

Sonhar requer sossego
Mas tenho medo no estio
Entristeço e aborreço
Tanto calor, tanto vazio

Curtas de Verão (III): Danças

Nevam palavras na minha pele
Caiem redondas em leito mole
Rodopiam e esmorecem
Quentes mas frias
Medo que a minha pena as viole
Foto: La neige sur la fleur - Raul Cordeiro (olhares.aeiou.pt)

Curtas de Verão (II): Sufoco

Um beijo repicado
Um ar já respirado
Beijar um beijo beijado
Que inútil e sufocado

Curtas de Verão (I): O Girassol e a papoila

Meu pai um girassol
Minha mãe uma papoila
Sempre que ele encomenda os olhos ao Sol
A ela cai-lhe uma folha

BELA, MAS ADORMECIDA (poema de brincar)

Picasse-te uma agulha no dedo mindinho
E chorarias lágrimas de espanto
Chuparias teu próprio sangue
Quebrarias o encanto
Não adormecerias ao som das flautas
Nem olharias teu príncipe
Serias do baralho a espada
E nessa hemorragia baralhada
Seria omisso o nobre naipe
A copa fugiria da mão
E mal contada a história
Num conto aldrabão
De tão distraída
Ficarias para sempre bela
Adormecida
Foto: Dina Goldstein