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A mostrar mensagens de Outubro, 2010

CONTRA

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Contra as correntes Contra as ondas Contra os ventos Contra as marés Contra os frios Há mares Que correm para os rios

Da mente

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Diria Quintana Que não devemos 
descer os degraus dos sonhos Porque eles Os sonhos Querem ser sonhados É isso que os faz ser sonhos E não apenas acontecimentos Processos e sistemas Saberes ou estratagemas Da mente É isso que faz um sonho Ser da realidade Diferente

Pouco poema

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Não me lembro de olhar Sem os olhos com que nasci Mesmo que o que vejo me cegue E pense que morri Afinal vivo e revivo Apenas e só o que vivi Se sou ou não sou não sei Sei só que não sou O que não sou Mas serei sempre O muito que me dão E o pouco que dou

Poemas Curtinhos (II)

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Olha à tua volta e espera
Espera que amadureça a poesia
E dela se desprenda o verso
Em alegre coreografia

Um dia hei-de conseguir a dimensão última do poema

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Um dia hei-de conseguir a dimensão última do poema
A forma de representação pessoal Antes da publicação Antes da exposição no meu ecossistema Ganha ainda a diversidade da subjectividade de quem lê Da interpretação mágica Da leitura e diferenciação De dizer sim ou não De ler nestas linhas alguma lógica É diferente o som da alma do poeta Quando outros o lêem em silêncio E de repente na ribalta Alguém o lê em voz alta O poema corporizado Feito vida Eco de uma voz escondida E é dimensão última O mesmo poema em vozes diferentes Dito de uns para outros Ou de outros para uns Em pensamentos e almas Contingentes

O pouco que me resta

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Quero guardar uma prenda
Uma gota da chuva
Envolta num lenço de renda
Para guardar de encomenda
Para um dia de festa
Pois as gotas da chuva
São o pouco que me resta

A minha árvore e a tua

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Não é à toa
Nem á luz da Lua
Que crescem
A minha árvore e a tua
É apenas no silêncio do dia
Que rumam para fora do seu pedestal
Como se merecessem cada uma
O espaço do seu quintal
São apenas duas árvores
A minha e a tua
Cada uma a seu modo
Esguia e elegante
Cada uma a seu modo
Importante

Barba grande e lágrimas

De barba grande e face pequena
Arranho os dias
À procura de uma hora
Na esperança de uma dezena
É na face que pico
E nos olhares que me fico
Sou inofensivo
Mole e leve nos gestos
Suave nos manifestos
Poucos protestos
E muitos suspiros
Silencioso
Até quando respiro
Não admira que não reparem
Que estou aqui
De barba grande e face pequena
O olhar na chuva
A desfrutar a cena
E que pique quem se aproxima
Num olhar triste numa lástima
Como se a chuva
Transportasse a minha lágrima

Setembro

Desde que me vejo e me lembro
Abrir os olhos ao relento
Que as coisas boas e más
Me acontecem em Setembro
Assim como se o calendário parasse
E o coração disparasse
Célere em desengano
Esperando o fim do ano
Para que voltasse de vez
A acontecer tudo
Outra vez