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A mostrar mensagens de Outubro, 2011

Vaidade

Do lado de fora de um homem feito
Nasce uma seta reta no peito
Uma capa negra
E um desejo violento
De devorar os sonhos à mesa
Num repasto doce e lento
Toda a forma
Toda a vida
Tem uma morte 
Que vai crescendo a seu lado
E exibindo a sua vaidade
A vida passa
É um defeito que passa
Passa com a idade

Escritos e Escritores - Avis 2011 - 22 de Outubro

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Complicado?

Estava para aqui a pensar Que gosto que gostes De pensar em gostar Estava para aqui a gostar Que penso que pensas De gostar de pensar Que nada se gosta sem pensar Nem se pensa sem gostar Que gostar é tão elaborado Que merece ser pensado E gostar tão simples Que pensar em gostar Nem merece ser pensado Complicado?

Lições de Vida

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adulta, madura, esguia

Sabes que não há tempo Como o tempo em escrevia poesia Em que a noite era dia Sabes que não custa andar Não há esquinas no tempo Nem portas por descobrir Escrever é deixar ir A mão atrás da pena É conjugar verbos E rir Sem os alcançar É ver os pássaros voar Reunidos em congresso Quietinhos e atentos no ar Sabes que não há tempo Nesta poesia, na minha poesia Como o tempo de rimar Sabes que gosto cada vez mais Da poesia que envelhece Do verso que é verso E parece Sabes que não há tempo Para crescer a poesia Ela quer-se à nascença Adulta, madura e esguia