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A mostrar mensagens de Junho, 2008

SILÊNCIO, NASCEU UM POEMA

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PALAVRAS COM MÚSICA (Per7ume - Intervalo , com Rui veloso)

HISTÓRIA DO AVESSO (DE UM RIO DE ÁGUA VAZIO)

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Para aqui sentado na paragem
Olhos à chuva deles mesmos
Olhos nas vigias das ruas e vielas
Inventando a miragem dos teus
Reflectida na janela dos meus
Tempestade à espreita na cidade
Cabeças no ar, olhos no chão
Uma rua gasta da idade
Uma pedra que salta do caminho
Uma pedra na rua da cidade
E alguém que caminha sozinho
Lágrimas que correm para o rio
Um rio de água vazio
Um barco em seco sem vento
Um grito feito lamento
Um homem de água sedento
E um rio de água vazio
Uma mulher a tremer de frio
E uma capa a voar ao vento
Um homem que olha o advento
De um rio de água vazio
Uma criança que choras os pais
Pais sem filhos nem rio
O barco sem porto nem cais
E um rio de água vazio
Um pintor que pinta sem quadro
Um quadro sem pintor ao vento
Um pintor que pinta ao frio
Um rio da água vazio
Um amor que esvoaça o equador das ideias
O sangue que salta das artérias
Um corpo que encolhe com o frio
Num rio de água vazio
Foto: Não me negues o teu amor - Raul Cordeiro (olhares.aeiou.pt)

POEMA SIMPLES AO VINHO - 2º Lugar no 11º Concurso Literário Luso-Poemas - O Vinho

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Este é…
Um poema que é vinho dum vinho que foi mosto
Um vinho que é casta num cálice de vidro
Um vidro que carrega o néctar do rosto
Sangue e cor da vida - o simples sentido
Esta é…
Uma mão que acompanha teu corpo afagado
O teu gosto simples na boca guardado
O teu espírito dos deuses sempre presente
Quando deslizas e o meu corpo te sente
Eu…
Fico embebido na tua bebida de prazer
Branco, sangue, verde ou maduro da vida
És vinho, água benta de vida e prazer
És simplesmente vinho de uma vida por beber
Foto: Feeling - Elisabete Homem (olhares.aeiou.pt)

PALAVRAS COM MÚSICA (Sigur Rós - Saeglopur)

SOLUÇÃO MÁGICA

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Há um suspiro de palavras drenadas da amargura da tua boca
Uma espécie de magia soletrada no linho
Uma criação de palavras simples
Uma magia que mostra que um amor não pode curar-se assim
Uma varinha de condão que perturba a pacatez do ninho
Seria bom deitarmo-nos a adivinhar
A quanta magia pode sobreviver o mundo
E quanto a magia pode tocar tão fundo
Seria muito mau destruir o sonho de uma menina
Fazendo desaparecer a praia e a areia
Fazer desaparecer da rua a esquina
Fazer um ar duro e sério
E estragar o mistério
Seria muito mau
Deixar voar a pomba do chapéu do mágico
Gritar ou esperar acontecer
Virar a carta certa no momento errado
Ou esperar pela magia desesperado
Ou seria mau pensar
Que partir a varinha de condão
Podia ser mágica soluçãoFoto: Números amigos - mico (olhares.aeiou.pt)

PALAVRAS COM MÚSICA (Maria Rita - Menina da Lua)

VÃS PALAVRAS, MÁ FORTUNA

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Dispo-me quando escrevo
As palavras que são minha roupa de disfarce
Verdade feita poema
Na linha ténue do ecossistema
Dispo-me porque sei que transpiro
Porque sei que sonho
Visto-me porque sei que te inspiro
No teu poema medronho
Neste equilíbrio de corpo e mente nus
Faço a correr a tua praia de encantos
Visto e dispo a roupagem na duna
Oiço e leio o que escrevo
Vãs palavras, má fortuna
Foto: Arrufos Silenciosos!!!! - Daniel Oliveira (olhares.aeiou.pt)

MÚSICAS DE SEMPRE (Carlos Paião - Pó de Arroz)

TALVEZ

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ADMIRAÇÃO

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Admiro
A elasticidade do mundo
O belo e o feio
O bem e o mal
O superficial e o profundo
Resiste a almofada às noites mal dormidas
Volta a espuma sempre à mesma forma
As loucuras, os delírios
E a norma
A tenacidade sinuosa
Das plantas que procuram o Sol
A sua inteligência cega mas verdadeira
Admiro
A terra redonda
Vaidosa
O mar e o céu
O que é teu e meu
A calma e a onda
A onda e a vaga
Admiro
A saúde e a praga
O mais e o menos
A soma do todo nas partes
As estrelas que flamejam
Os astros e brilham
E tudo mais
Que os meus olhos não vejam
Foto: *Imensamente Azul* - *Rod* Rodrigo Silva (olhares.aeiou.pt)

MÚSICAS DE SEMPRE (Patsy Cline - Crazy)

TRANSPARÊNCIAS

Ir ou ficar
Na oscilação dos dias ímpares
Amar a minha própria transparência
Saber as tardes a circular nas baías dos mares
Rocha de calma que o mundo silencia
Tudo é visível e alusivo
Tudo está perto e não pode ser tocado
Horizonte vidrado, margem vazia
Tempo pulsando nas minhas repetições de tempos
A luz que reflecte na parede indiferente
E o futuro sagaz
Manhoso e mentiroso
Que na verdade mente

PALAVRAS COM MÚSICA (Camané - Sei de um rio)

MEU BARCO, TEU CORPO

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Ainda não é noite cerrada
E já as tuas velas arribam ao largo
E trazem no sal que carregam
Um gosto de mar e sol amargo

Teu porto é na minha baía
Tua praia no meu corpo
Estudam as ondas a tua anatomia
Mas escondem e ensinam-me pouco
Foto: body painting - Arlinda Mestre (olhares.aeiou.pt)

MÚSICAS DE SEMPRE (Frank Sinatra - Something Stupid)

RIO DE AROMAS E SENTIDOS

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Sejam as mais íntimas memóriasSurdas e mudasSe a memória for cegaE a tua presença táctil marcar a minha mãoComo o teu nome que gravo no chãoSejam a tua cintura o meu apoioE a tua pele incrustada na minhaSeja o gesto redondo do teu corpoO descanso da minha retinaE a água da minha sedeE o teu perfumeUm rio colorido de aromasQue escorrem sobre vales e montanhasSejas o que a minha memória desejaE o resto que eu ouça e vejaFoto: ADRIANA... - Arlinda Mestre (olhares.aeiou.pt)

MÚSICAS DE SEMPRE (Amália Rodrigues - História de uma Cantadeira)

NO DIA DE PORTUGAL, DE CAMÕESEDAS COMUNIDADES PORTUGUESAS:


ENIGMAS

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É uma cobra ferida que desfralda o capuz
Um ar de deserto onde ressoam as chamadas
É sangue de cavalo andaluz
Raiva de leão batido pelo coração
É nuvem que se estende força do dilúvio
Força de vento alazão
Da canção dentro do búzio
É um relâmpago que racha o meu peito
A minha alma que perde o jeito
É o amor que trai a amizade
A mentira que trai a verdade
É o tempo que causa o efeito
Ou a causa que trai o conceito
É o espaço que amaina o corpo
A sombra que sabe a pouco
É o mistério de ser são
Num mundo quase louco
É o pensamento que se faz ódio
A vitória no cimo do pódio
É a noite que se faz dia
Numa bela e simples poesia
Foto: Praire - Hugo Macedo (olhares.aeiou.pt)

VESTI-ME DE TI

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Todas as manhãs
Esperas por mim numa cadeira á beira da cama
Esperas que te dê a tua forma e vaidade
A minha esperança, o meu corpo, a minha alma
Ou apenas a verdade?
Saio da água e estico os braços e pernas
Visto a tua pele na minha
E com tua fidelidade incansável
De saíres de formas eternas
Começo o dia
Estabeleço a poesia
Examino janelas
Homens, mulheres,
Feitos e querelas
E mordido pelos teus fios
Pregados nos meus ossos
Tomas a minha forma e meus vícios
Vazio, pela noite de ofícios
Escuridade, sono, destroços
Povoas com as tuas fantasias
As tuas asas e o meu dono
Pergunto se um dia
Uma bala inimiga
Trespasse nossas peles
Se o meu sangue fica em ti
Ou apenas o repeles
Foto: Deixo ao vosso critério - Gonçalo (olhares.aeiou.pt)

PALAVRAS COM MÚSICA (Fernanda Takai - Diz que fui por aí)

PALAVRAS COM MÚSICA (Linkin Park - What I've Done)

NEM FRUTOS NEM FLORES

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É uma árvore estranha a que vive junto da minha janela
Tombada sobre o horizonte
Alta, de porte
Fugia da terra para o céu
Ramos selvagens, gratuitos
Alguns frutos, fortuitos
É uma árvore estranha a que vive junto da minha janela
Atroz e arrisca
Nem os pássaros pousam nela
Verde e castanha
E de copa tamanha
É uma árvore estranha a que vive junto da minha janela
Nem frutos nem flores
Nem flores nem folhas
Nem preto nem branco
Nem cores
Apenas alguns ramos felizes
Que em formas de abstracção
São seus troncos e raízes
É uma árvore estranha a que vive junto da minha janela Mas que fazem meus olhos
Repousar suavemente nela
Foto: 03 - Hipnotylical - beowulf (olhares.aeiou.pt)

MÚSICAS DE SEMPRE (José Cid - A rosa que te dei)

O CHÃO, APENAS

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Seria eu apenas uma gota de chuva
Que te escolhe para molhar
E tu o chão de terra
Que escolho para morar

Seria eu o raio de Sol
Que te escolhe para aquecer
E tu apenas a sombra
Onde descanso ao entardecer

Seria eu a noite e o dia
E tu as minhas horas

Seria eu o norte e o sul
E tu a minha diáspora

Se fosse tudo verdade
Seria eu a tua cidade
Não serias apenas o sonho
Dos poemas que componho

Se...
Foto: Bianca - KarolSiwek (olhares.aeiou.pt)

FRAGMENTOS

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Na capital do justo e equilibrado
Entre os seus distúrbios e regras
Foi o meu olhar pretendente
Foram os meus horizontes profundos
Foi o meu coração abstinente
E múltipla impulsão da minha carne
Senti-me onda e balanço
Entre a humanidade nebulosa
Onde o meu átomo rastejou
Fui de mim o próprio falhanço
Vi um milhão de movimentos, mas apenas uma lei
Vivi na cidade os meus olhos
Um fermento turbulento, intensamente feira
E nessa cidade de vida aos molhos
Foi esse fogo que ateei
Que marcou a minha fronteira
Foto: ... - Avelino Oliveira (olhares.aeiou.pt)

O POEMA DO POETA

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O poeta tinha uma caneta, uma folha e um livro
O poeta tinha uma folha do livro
O poeta tinha uma caneta que escrevia
O poeta tinha um livro que só lia de dia
O poeta tinha uma caneta que escrevia numa folha
Que era do livro que só lia de dia
E o livro tinha uma folha que só se lia
Quando o poeta queria
Era a folha de um livro escrito por uma caneta
Que quando era de noite simplesmente não escrevia
E nas sintaxes que compunha com a caneta
Nas suas mãos o poeta o seu livro sentia
E nas linhas com que a folha ficava
Lia-se o texto que o poeta ensaiava
O poeta tinha uma caneta, uma folha e um livro
O poeta tinha uma folha do livro
E eram as linhas das folhas do livro
Que faziam o poeta vivo O poeta tinha uma caneta que escrevia
Um livro que o poeta só escrevia de dia Foto: Charlie Chaplin... - Paulo Penicheiro (olhares.aeiou.pt)