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A mostrar mensagens de Fevereiro, 2012

Há coisas inúteis (Republicação)

As coisas inúteis
Nascem em lugar nenhum
Simplesmente não existem
Que seja feita a vontade
De pensamento algum
Que sejam misturados os ingredientes
Da verdade
E reservados os dentes
Que mordem os calcanhares das mentiras
E se vozes de cão
Esforçadas
Irrompem em iras
Isso é apenas e só
O tempo a mirrar
A ensurdecer a minha voz
A cegar
Os meus olhos
Fechados
Nos seus nós
Há coisas mesmo inúteis

Póstumos costumes

Não me conformo
Em não aprender
A lidar com a minha casa das máquinas
Do corpo que habito
Das suas partidas traquinas
Ser porventura póstumo
É evitável
E para este costume
Pouco recomendável

Triste vida

Triste vida
Quando as lágrimas servem apenas
Para salgar na ciência dita dietética
Uma sopa
Ou sobremesa diabética

de que fruta se veste o silêncio

A poesia; às vezes, sabe ser
fugidia, magra como o vento
sabe porém mais que o mundo
num olhar lampejante, fecundo
sabe como pode o Sol ser filho do amanhecer
que a vida essa não pode acabar
nem que não se saiba
de que fruta se veste o silêncio
ou que sumo vai ele dar

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A Vida das Palavras - Escritos e Escritores 2011

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combinações

havemos de falar um dia destes
da chuva muda que chove dos teus olhos
ou da neve que seca do teu vestido 
os folhos
havemos de falar 
de como este frio seca as lágrimas
havemos de combinar
apagar as lástimas
e fazer um esquema
que explique 
onde entro eu na tua poesia
ou cabes tu no meu poema