QUATRO CENTENAS DE PASSOS


Talvez tenha caído 
Num buraco de traços
Num traçado intrincado
Depois de quatro centenas de passos
E de forma desconhecida
Tenha numerado as cores por números
E as tenha pintado fora da vida
Enquanto eu, como uma criança
Tenha preenchido a vacuidade 
E afagado a vaidade
Não importa agora 
Se usei golpes corajosos ou cores selvagens
Se preencho todos os espaços em branco
Se fui filme ou cinema
Revista ou jornal
Prosa ou poema
A clara ou a gema
Se fui história de acordar ou de dormir
De prender ou de fugir
Se fui mar ou porto
Praia ou lodo
Se riste ou choraste
Se calaste ou falaste
A tua fala ou a minha 
Se percebes o esquema
Se gostas de ler esta linha
Continua este poema
Vai...
Foto: wheel of the bicycle - Miguel Afonso (olhares.aeiou.pt)


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