PÁGINAS SOBRE O MAR


Fico quieto e mudo deste lado do horizonte

Deste lado do mar de todos os dias

Onde ser enrolam as ondas do mar sem laços

Onde perco os teus abraços

Onde cruzo o silêncio de um mar sem chão

Com a sombra dos braços teus

Que acenam um claro mas cinzento adeus

Uma vela, um barco ao longe, navegar de solidão

Encalhado numa praia onde não chegam as ondas

Desfazem-se fora dos olhos em voltas redondas

Onde verto em câmara lenta desgostos de não te olhar

Dava a vida toda para te ver chegar descalça sobre o mar

A viver deste lado do meu poema

A fazer-me companhia

Na construção do simples morfema

A beberes comigo a palavra fugidia

A desfolhar comigo as páginas do dia

Seres em carne e em paixão

A vida da minha poesia

Foto: emotional winter - grENDel (olhares.aeiou.pt)

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