Poema tardio do Dia do Pai (da minha filha Raquel...)

Sei que já venho tarde,
Mas nunca é tarde demais
Para te dizer que para mim és o melhor pai.

És carrancudo e mau,
És protetor e prudente
E são poucas as vezes em que sorris com os dentes.

Comes das minhas guloseimas,
E estás sempre a criticar,
É de manhã à noite,
Do levantar ao deitar.

És viajado e culto,
Mas também reservado e adulto,
Tu és o meu pai,
O melhor pai do mundo.

A razão pela qual não tiveste um miminho,
Foi porque a minha querida filosofia se meteu no caminho,
Impressões e ideias,
Cogito e existência de Deus,
Foi tudo aquilo que me prendeu,
Descartes e Hume já deviam estar a prever,
Que isto ia acontecer.

Descartes provou a sua existência enquanto substância pensante,
Mas é a tua existência que tem de ser constante.

Hume pensava que o conhecimento verdadeiro derivava dos sentidos,
E o conhecimento que tenho por ti é decidido.
É um amor inexplicável,
Que resiste à duvida,
Mesmo de Descartes e de Hume,
E não é possível sequer exprimir,
Pois é um amor que se tem de sentir.

É um amor contraditório,
Mas nada ilusório,
Feliz dia do Pai,

Para ti e para o resto do auditório.
Enviar um comentário