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há histórias fantásticas


Adormeci hoje a pensar que acordava daqui a uns anos
Num apeadeiro nas crateras da Lua
Onde das estrelas caíam palavras
Que faziam um texto de uma frase nua
Onde, no Mar da Tranquilidade
As pessoas perdiam a idade
Onde não se criavam raízes
E podiam ser eternamente felizes
Onde por entre naves espaciais
Voavam borboletas e flores magistrais
Pássaros Fénix imortais
E aí esperava por ti
Da tua carreira regular de Vénus
Com escala breve por aqui
Fato espacial branco cru
Por cima de um corpo nu
Olhaste e vieste a mim
Onde os semáforos espaciais eram folhas de plátano
Que só mudavam de cor nas estações siderais
Onde o tempo era imponderável
Mas o solo pouco arável
E por isso as flores cresciam no ar sem ar
E não podiam parar a idade
Nem a força da gravidade
Foste breve no olhar mas lenta no respirar
Rarefeito o ar e o teu escutar
Tinhas pressa do espaço e da sua arte
Das velocidades de anos-luz
Dos cruzamentos com Marte
De um voo espacial nocturno
Com passagem por Saturno
Pressa a amores sempre fiéis
De tocares os seus anéis
Agora de saída após a tua partida
Contemplo essa bola azul
De senhora e eterna idade
Onde tudo é terreno e destino
Onde podia tocar-te sem esse fato espacial
Sem que levasses a mal
Onde a gravidade nos agarra à terra
Onde podemos ser pensamento
Mesmo triste
Mas onde a vida existe
É só ela mesmo responde
Quando a Lua se esconde
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POEMA DE INDECISÃO

Se houvesse nos teus olhos um pouco mais de Sol, um pouco de chuva, um pouco mais de vinho, um pouco mais do açúcar da uva. Podia beber-te e saborear-te.

Se não fosse só ilusão a tatuagem na sombra da tua mão, o delírio em que despertas e corres para mim na bruma,
Podia mergulhar, nu, na tua espuma.
Se não tivesse falhado todos os semáforos verdes da estrada, e desbaratado todos os amarelos,
Seria agora livre.
Se tivesse partido as algemas e roído as grades, e olhado os precipícios com sangue de herói,
Seria agora um beijo a voar.
Se tivesse acabado tudo o que comecei, beijado o que não beijei, se tivesse visto o Sol mais cedo,
Seria agora um desvendado segredo.

Foto: Polyommatus icarus - Rui Cardoso (olhares.aeiou.pt)

ESPERA MENINA, PELO BARULHO DOS GUIZOS

Espera menina
Não partas ainda que a poesia não finda
Espera menina
Pelos olhinhos que te faço
Espera menina
Pela estação infinda
Espera menina
Prepara o teu regaço

Esquece os risos e os sorrisos
Esquece o tempo em que tivemos algum tempo
Escuta o barulho dos guizos
Esquece o mau e o bom
Esquece o choro e a lágrima
Escuta a canção e o tom
Esquece os beijos
Esquece o medo e o segredo
Esquece os desejos

Espera menina
Enquanto exploro e desbravo o arvoredo
Espera menina

POEMAS DE AROMA SEM RIMA

São poemas de aromas os que tenho no meu jardim
São danças de cheiros voláteis
Rodopios de alecrim
São doces cheiros de café e canela
São pinceladas de manjerico
Verdejantes na janela
São cheiros e delícias da noite e do dia
É o cheiro do luar que abafa a melodia
Melodiosa a árvore e a folha
Ao vento e sem medo
Escondendo o seu cheiro
No meio do arvoredo
São poemas de aromas os que tenho no meu jardim
São folhas de chá de lima
Doce ou salgado
Seco ou molhado
Na chávena de uma lágrima
São mesmo assim poemas de aroma
São poemas de aroma sem rima
Foto: Manto vermelho - Carlos Afonso (olhares.aeiou.pt)