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Do outro lado da infelicidade


Quando te olhei mais que um segundo ceguei
Fiquei colado ao chão
Já não viste mas paralisei
Uma estátua
Quieto
De olhos na Lua

Quando quase te toquei com a minha mão delirei
Pensei ver-te retribuir
Pura ilusão da tua mão
Puro delírio do meu sentir
Ver-te chegar
Para te abraçar

Se eu te olhar
Na sombra da minha árvore
Ao Sol do meu olhar
Num barco a navegar
Ou num delírio ao luar
Vou-me rir
Rir é um chorar
Diferente

Quando te recolhi no meu colo
Foste o cimento da minha casa pequena
O meu mundo
A minha montanha
Foste da minha janela
A cena

Chegaremos junto a esse porto de abrigo
Do outro lado da infelicidade
Seremos nós
Eu e tu
A verdade


Se eu te olhar
Na sombra da minha árvore
Ao Sol do meu olhar
Num barco a navegar
Ou num delírio ao luar
Vou-me rir de contente
Rir é um chorar
Diferente

Vou-me rir de contente
Rir é um chorar
Diferente

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POEMA DE INDECISÃO

Se houvesse nos teus olhos um pouco mais de Sol, um pouco de chuva, um pouco mais de vinho, um pouco mais do açúcar da uva. Podia beber-te e saborear-te.

Se não fosse só ilusão a tatuagem na sombra da tua mão, o delírio em que despertas e corres para mim na bruma,
Podia mergulhar, nu, na tua espuma.
Se não tivesse falhado todos os semáforos verdes da estrada, e desbaratado todos os amarelos,
Seria agora livre.
Se tivesse partido as algemas e roído as grades, e olhado os precipícios com sangue de herói,
Seria agora um beijo a voar.
Se tivesse acabado tudo o que comecei, beijado o que não beijei, se tivesse visto o Sol mais cedo,
Seria agora um desvendado segredo.

Foto: Polyommatus icarus - Rui Cardoso (olhares.aeiou.pt)

POEMAS DE AROMA SEM RIMA

São poemas de aromas os que tenho no meu jardim
São danças de cheiros voláteis
Rodopios de alecrim
São doces cheiros de café e canela
São pinceladas de manjerico
Verdejantes na janela
São cheiros e delícias da noite e do dia
É o cheiro do luar que abafa a melodia
Melodiosa a árvore e a folha
Ao vento e sem medo
Escondendo o seu cheiro
No meio do arvoredo
São poemas de aromas os que tenho no meu jardim
São folhas de chá de lima
Doce ou salgado
Seco ou molhado
Na chávena de uma lágrima
São mesmo assim poemas de aroma
São poemas de aroma sem rima
Foto: Manto vermelho - Carlos Afonso (olhares.aeiou.pt)

ESPERA MENINA, PELO BARULHO DOS GUIZOS

Espera menina
Não partas ainda que a poesia não finda
Espera menina
Pelos olhinhos que te faço
Espera menina
Pela estação infinda
Espera menina
Prepara o teu regaço

Esquece os risos e os sorrisos
Esquece o tempo em que tivemos algum tempo
Escuta o barulho dos guizos
Esquece o mau e o bom
Esquece o choro e a lágrima
Escuta a canção e o tom
Esquece os beijos
Esquece o medo e o segredo
Esquece os desejos

Espera menina
Enquanto exploro e desbravo o arvoredo
Espera menina