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o meu espelho (letra de música)

Olhei triste para o espelho
Quebrou-se o feitiço no chão
Li o meu nome no chão
E fiquei de boca aberta
Quase dei um tropeção
Olhos feridos de olhar para mim
Fiquei logo iludido
Pus-me logo a imaginar
Ficar cego de olhar para mim
Limpei tudo bem limpinho
Varri vidros pelo chão
Olhei os meus olhos no chão
Fiquei só a meditar
Como se fosse um vidente
Como se de repente assim
Ficassem os meus olhos a olhar para mim
O destino quis quebrar
No chão triste o meu olhar
Num dia perto do fim
Um olhar a olhar para mim
Minha tristeza subiu de tom
Fez-se noite perto de mim
Fiquei com espelho no olhar
De uns olhos a olhar para mim
Fiz-me forte e num repente
Deitei fora uma ilusão
Os meus olhos cruzam-se assim
Tristes com outros
Olhando por mim
Olhei triste para o espelho
Quebrou-se o feitiço no chão
Li o meu nome no chão
E fiquei de boca aberta
Quase dei um tropeção
Olhos feridos de olhar para mim

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POEMA DE INDECISÃO

Se houvesse nos teus olhos um pouco mais de Sol, um pouco de chuva, um pouco mais de vinho, um pouco mais do açúcar da uva. Podia beber-te e saborear-te.

Se não fosse só ilusão a tatuagem na sombra da tua mão, o delírio em que despertas e corres para mim na bruma,
Podia mergulhar, nu, na tua espuma.
Se não tivesse falhado todos os semáforos verdes da estrada, e desbaratado todos os amarelos,
Seria agora livre.
Se tivesse partido as algemas e roído as grades, e olhado os precipícios com sangue de herói,
Seria agora um beijo a voar.
Se tivesse acabado tudo o que comecei, beijado o que não beijei, se tivesse visto o Sol mais cedo,
Seria agora um desvendado segredo.

Foto: Polyommatus icarus - Rui Cardoso (olhares.aeiou.pt)

ESPERA MENINA, PELO BARULHO DOS GUIZOS

Espera menina
Não partas ainda que a poesia não finda
Espera menina
Pelos olhinhos que te faço
Espera menina
Pela estação infinda
Espera menina
Prepara o teu regaço

Esquece os risos e os sorrisos
Esquece o tempo em que tivemos algum tempo
Escuta o barulho dos guizos
Esquece o mau e o bom
Esquece o choro e a lágrima
Escuta a canção e o tom
Esquece os beijos
Esquece o medo e o segredo
Esquece os desejos

Espera menina
Enquanto exploro e desbravo o arvoredo
Espera menina

POEMAS DE AROMA SEM RIMA

São poemas de aromas os que tenho no meu jardim
São danças de cheiros voláteis
Rodopios de alecrim
São doces cheiros de café e canela
São pinceladas de manjerico
Verdejantes na janela
São cheiros e delícias da noite e do dia
É o cheiro do luar que abafa a melodia
Melodiosa a árvore e a folha
Ao vento e sem medo
Escondendo o seu cheiro
No meio do arvoredo
São poemas de aromas os que tenho no meu jardim
São folhas de chá de lima
Doce ou salgado
Seco ou molhado
Na chávena de uma lágrima
São mesmo assim poemas de aroma
São poemas de aroma sem rima
Foto: Manto vermelho - Carlos Afonso (olhares.aeiou.pt)