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O PRATO E A COLHER


Sem freio e sem arreio corro campos e encostas
Para vestir a vida apenas de corpo e meio

Para vestir de belo o feio
Saltos, palavras e corridas de fundo
E tudo o que está existe só
Rente aos olhos turvos do mundo

Rente à corda e ao nó
Rente aos olhos a flor e o espinho
A nuvem e o caminho
A cinza e o mar

A praia e o luar
Rente aos olhos meus os teus
Rente aos olhos a árvore e o arado
A serra e o machado
A vida e a morte

O azar e a sorte

Rente aos olhos
O homem e a mulher
O prato e a colher

As mãos e os dedos
Os sonhos e os segredos
Rente aos olhos teus os meus
Rente ao dia a noite

A chuva e o vento
A boca e o sustento

E rente aos meus olhos
Uma mulher da chuva molhada
Rente à minha boca fechada

Foto: Apenas gotas de chuva. - Sérgio R. Moskato (olhares.aeiou.pt)

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VERSO E REVERSO

Se eu fosse um verso Seria com certeza um verso do inverso Escrito de trás prá frente Ou visto á lupa e á lente Se eu fosse um verso Teria que ter uma poesia para nadar Uma frase para rimar Um texto, um mar pra navegar Se eu fosse um verso Podia rimar com várias poesias Uma nova todos os dias Se eu fosse um verso Só, apenas, um simples verso Monossilábico, mesmo do inverso Seria a só a palavra Que a poesia do verso Quisesse Que fosse Se eu fosse um verso seria um pássaro Que faz das frases ramos E das poesias enganos Se eu fosse um verso Seria eu verso Mesmo do inverso Seria meu E nenhuma poesia reclamaria É meu Mas era se fosse um verso Como não sou verso nem do inverso Sou apenas o inverso do verso Sou o reverso Foto: Rodinhas1. - Ed Ferreira ( olhares.aeiou.pt )

DESCULPA-ME

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zonzo

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