O PRATO E A COLHER


Sem freio e sem arreio corro campos e encostas
Para vestir a vida apenas de corpo e meio

Para vestir de belo o feio
Saltos, palavras e corridas de fundo
E tudo o que está existe só
Rente aos olhos turvos do mundo

Rente à corda e ao nó
Rente aos olhos a flor e o espinho
A nuvem e o caminho
A cinza e o mar

A praia e o luar
Rente aos olhos meus os teus
Rente aos olhos a árvore e o arado
A serra e o machado
A vida e a morte

O azar e a sorte

Rente aos olhos
O homem e a mulher
O prato e a colher

As mãos e os dedos
Os sonhos e os segredos
Rente aos olhos teus os meus
Rente ao dia a noite

A chuva e o vento
A boca e o sustento

E rente aos meus olhos
Uma mulher da chuva molhada
Rente à minha boca fechada

Foto: Apenas gotas de chuva. - Sérgio R. Moskato (olhares.aeiou.pt)
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