Avançar para o conteúdo principal

REFLEXOS DE UM QUALQUER SENTIR


Sei que tu sabes que eu sei que sabes como é…

Se olho os teus vidros cristalinos eles reflectem ramos vermelhos

No Outono lento na minha janela

Se toco o teu fogo de perto, bem pertinho

Logo se te enruga o corpo de medo

Bem franzininho

Se descubro os teus aromas, a luz e os metais

Logo se vai o segredo

Num rumo louco para as tuas ilhas marginais

Às vezes penso que posso ser louco e ficar abandonado na costa

Mil dias á espera da resposta

Mas aí penso em velas e barcos

Em mares e ares

Nos teus lábios a buscar-me

No teu nome a chamar-me

No meu amor-próprio

Reconheço, pouco sóbrio

Repito e reacendo os meus fogos interiores

Ligo os meus internos extintores

E parto á procura do motor e do sensório

Dos gestos correctos, dos pensamentos

Do real pouco ilusório

Duma palavra ou um aceno de momentos

Para que possas ver e compreender

Os medos que hão-de vir

E mesmo assim possas continuar a ler este sorrir

Foto: Reflection - Robert Sulintan (www.photo.net)

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

POEMA DE INDECISÃO

Se houvesse nos teus olhos um pouco mais de Sol, um pouco de chuva, um pouco mais de vinho, um pouco mais do açúcar da uva. Podia beber-te e saborear-te.

Se não fosse só ilusão a tatuagem na sombra da tua mão, o delírio em que despertas e corres para mim na bruma,
Podia mergulhar, nu, na tua espuma.
Se não tivesse falhado todos os semáforos verdes da estrada, e desbaratado todos os amarelos,
Seria agora livre.
Se tivesse partido as algemas e roído as grades, e olhado os precipícios com sangue de herói,
Seria agora um beijo a voar.
Se tivesse acabado tudo o que comecei, beijado o que não beijei, se tivesse visto o Sol mais cedo,
Seria agora um desvendado segredo.

Foto: Polyommatus icarus - Rui Cardoso (olhares.aeiou.pt)

ESPERA MENINA, PELO BARULHO DOS GUIZOS

Espera menina
Não partas ainda que a poesia não finda
Espera menina
Pelos olhinhos que te faço
Espera menina
Pela estação infinda
Espera menina
Prepara o teu regaço

Esquece os risos e os sorrisos
Esquece o tempo em que tivemos algum tempo
Escuta o barulho dos guizos
Esquece o mau e o bom
Esquece o choro e a lágrima
Escuta a canção e o tom
Esquece os beijos
Esquece o medo e o segredo
Esquece os desejos

Espera menina
Enquanto exploro e desbravo o arvoredo
Espera menina

POEMAS DE AROMA SEM RIMA

São poemas de aromas os que tenho no meu jardim
São danças de cheiros voláteis
Rodopios de alecrim
São doces cheiros de café e canela
São pinceladas de manjerico
Verdejantes na janela
São cheiros e delícias da noite e do dia
É o cheiro do luar que abafa a melodia
Melodiosa a árvore e a folha
Ao vento e sem medo
Escondendo o seu cheiro
No meio do arvoredo
São poemas de aromas os que tenho no meu jardim
São folhas de chá de lima
Doce ou salgado
Seco ou molhado
Na chávena de uma lágrima
São mesmo assim poemas de aroma
São poemas de aroma sem rima
Foto: Manto vermelho - Carlos Afonso (olhares.aeiou.pt)