DA MINHA SEARA APENAS O RESTOLHO


Quem ler hoje o que escrevi
Quererá ver o que vi

Saberá o que li

Mas não como vivi

Deitar-se-à a adivinhar

Os olhos e o olhar

Os sapatos e o andar

Mas não o caminhar

Saberá a cor do olho

A pestana ou o sobrolho

Mas da seara apenas o restolho

Saberá a escrita feroz
A palavra veloz

Saberá o timbre e os nós

Mas não a voz
Cultivará a adivinha

Palácio ou casinha
Histórias da carochinha

Mas não saberá a minha
Verá imaginado ser

De altivo bem parecer

Mas não saberá o mais simples
Do sentido
o simples ser
Foto: Ladybird - Ellen van Deelen (photo.net)
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