VIDA ORDINÁRIA


Li hoje nas tábuas do banco do teu jardim
Que a nossa vida é ordinária e fútil
Vida ordinária, dias ordinários
Terra de ordinário capim
Um concerto ordinário, conversa pouco útil
De pessoas e objectos bruscamente esboços
Solos de origem ordinária
Numa terra inútil de esforços
Que cobre o planeta vulcânico
Como um sobretudo lançado sobre o oceano
Num universo diluviano
Os cinemas escuros almejam a luz
As florestas respiram febrilmente
As nuvens cantam quietamente
Os pássaros rezam pela chuva
Desejos e acontecimentos vários
São apenas e só
Desejos de vida ordinários


Foto: Corpos Btwin - Miguel Afonso (olhares.aeiou.pt)
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