SOU A PAUSA E O MOVIMENTO

Fico balançando entre o ir e o ficar
Meu movimento espalha-se, imóvel estátua
Não quero conhecer desta doença a causa
Fico ou vou, vivo a minha pausa
Imerso nesta sombra, calor de frágua
Papel, caneta, livros, lápis, horizontes
Descanso à sombra dos seus nomes
Enquanto a luz da minha janela pulsa
Barcos, marés, espaços, ar, terra e pontes
Na minha própria transparência
Leio a minha sílaba invariável que sangra
Qual cena de teatro espectral de essência
De colar de única e negra missanga
Observo-me no meu espaço
E o meu momento espalha-se, imóvel
Na ligeireza de um traço
Numa cena de teatro confusa de medos
Não revelo os meus segredos
Fico ou vou? Sou a pausa
Enviar um comentário