Avançar para o conteúdo principal

LABIRINTOS


E foi assim que aconteceu…
Na era das flores e dos campos do meu ciclo vital
Encontrei a conjugação certa e determinada
Do verbo silencioso da razão normal
Dos predicados do coração
Sim… ou talvez não
Foi nesta idade que chegou a poesia
Desafiou-me no meu labirinto
Intimou-me com a sua beleza
Brincou com a minha fraqueza
Tocou-me ao de leve na mão
Não sei de onde veio
Se veio do meus invernos
Ou dos rios onde banho os meus pés
Não sabia o que responder
Os nomes ou as palavras que devia dizer
O que devia olhar ou quando devia desmaiar
Quando as linhas eram ténues e fracas
Quando as palavras tocavam a razão e não o coração
Quando era vã e crua a decifração
Mas a minha boca não tinha outro caminho
E eu, ser infinitésimo
Bebido pelos mistérios
Que me sentia uma parte pura do abismo
Tímido ao milésimo
Olhei nos teus olhos, poesia
E de repente se fez dia

Foto: Walk to you - Marcos Sobral (olhares.aeiou.pt)
Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

POEMA DE INDECISÃO

Se houvesse nos teus olhos um pouco mais de Sol, um pouco de chuva, um pouco mais de vinho, um pouco mais do açúcar da uva. Podia beber-te e saborear-te.

Se não fosse só ilusão a tatuagem na sombra da tua mão, o delírio em que despertas e corres para mim na bruma,
Podia mergulhar, nu, na tua espuma.
Se não tivesse falhado todos os semáforos verdes da estrada, e desbaratado todos os amarelos,
Seria agora livre.
Se tivesse partido as algemas e roído as grades, e olhado os precipícios com sangue de herói,
Seria agora um beijo a voar.
Se tivesse acabado tudo o que comecei, beijado o que não beijei, se tivesse visto o Sol mais cedo,
Seria agora um desvendado segredo.

Foto: Polyommatus icarus - Rui Cardoso (olhares.aeiou.pt)

ESPERA MENINA, PELO BARULHO DOS GUIZOS

Espera menina
Não partas ainda que a poesia não finda
Espera menina
Pelos olhinhos que te faço
Espera menina
Pela estação infinda
Espera menina
Prepara o teu regaço

Esquece os risos e os sorrisos
Esquece o tempo em que tivemos algum tempo
Escuta o barulho dos guizos
Esquece o mau e o bom
Esquece o choro e a lágrima
Escuta a canção e o tom
Esquece os beijos
Esquece o medo e o segredo
Esquece os desejos

Espera menina
Enquanto exploro e desbravo o arvoredo
Espera menina

POEMAS DE AROMA SEM RIMA

São poemas de aromas os que tenho no meu jardim
São danças de cheiros voláteis
Rodopios de alecrim
São doces cheiros de café e canela
São pinceladas de manjerico
Verdejantes na janela
São cheiros e delícias da noite e do dia
É o cheiro do luar que abafa a melodia
Melodiosa a árvore e a folha
Ao vento e sem medo
Escondendo o seu cheiro
No meio do arvoredo
São poemas de aromas os que tenho no meu jardim
São folhas de chá de lima
Doce ou salgado
Seco ou molhado
Na chávena de uma lágrima
São mesmo assim poemas de aroma
São poemas de aroma sem rima
Foto: Manto vermelho - Carlos Afonso (olhares.aeiou.pt)