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CONFUSÃO DOS MEDOS


O medo não consiste no medo do que temo
A verdade é que ele é uma coisa assustadora a temer
Mas o medo de temer é esmagador e tremo
Sobretudo quando a sua forma é de morrer

O medo parece-se com a perda da sombra de uma árvore num dia de sol
Ou com um mergulho às escuras no fundo do mar
Temo este medo de temer esses medos
Mas é este medo que é soma e parcela de amar



E o medo de amar e ser amado
E o medo de amar e ser deixado
É contrariado pelo medo de não temer algo
O medo é mesmo um vaso vazio, barulhento e privado

Não temo a morte nem temo a vida
Mas temo o medo do conjunto do par
Se pudesse lançar um medo que temo
Seria apenas o medo de temer amar



Foto: pushing.........into the ( vanity ) ball - fêbê (olhares.aeiou.pt)

Comentários

MIMO-TE disse…
Excelente!

Entendo-te e fico sem palavras...
bjo com muito sol

mimo-te
Anónimo disse…
Bem que reconheço esse medo, o medo que nos impede de amar.

Obg Raul, por nos brindar com poemas tao belos.

Um abraço, pifea70

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