Avançar para o conteúdo principal

PÁSSARO DE ÁGUAS DOCES



Nos dias distantes, quando cada dia era mais longo

O medo caiu sobre mim e o medo foi forte

Antes que eu tivesse aprendido a recompensa da canção

Nos dias escuros tremi (sabia!) de sorte

Os perigos, perplexidade - o que posso encontrar?

O arco-íris no seu céu de sonho

E na noite, muitas estrelas a fascinar

Coisas escuras inalteradas na luz de dia

Como se de noite de luar fosse

Mar de estrelas como um lago onde amei na chuva doce

Um dia lá vi um pássaro, um tordo negro elegante

Sabia onde ele andou, tal como ele sabia de cor

Silencioso, ele foi, e ainda pareceu cantar

Canções de crianças e Primaveras de amor


Era um pássaro das águas doces que eu conhecia

Foi profundo e doce como uma canção

Que veio da névoa da manhã tardia

Não posso imaginar - a que distância, ele voou em vão

Pois sei que voltará às minhas águas doces

Numa tarde de Verão

Foto: Notas soltas... RAPHAEL o pensativo (olhares.aeiou.pt)

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

POEMA DE INDECISÃO

Se houvesse nos teus olhos um pouco mais de Sol, um pouco de chuva, um pouco mais de vinho, um pouco mais do açúcar da uva. Podia beber-te e saborear-te.

Se não fosse só ilusão a tatuagem na sombra da tua mão, o delírio em que despertas e corres para mim na bruma,
Podia mergulhar, nu, na tua espuma.
Se não tivesse falhado todos os semáforos verdes da estrada, e desbaratado todos os amarelos,
Seria agora livre.
Se tivesse partido as algemas e roído as grades, e olhado os precipícios com sangue de herói,
Seria agora um beijo a voar.
Se tivesse acabado tudo o que comecei, beijado o que não beijei, se tivesse visto o Sol mais cedo,
Seria agora um desvendado segredo.

Foto: Polyommatus icarus - Rui Cardoso (olhares.aeiou.pt)

ESPERA MENINA, PELO BARULHO DOS GUIZOS

Espera menina
Não partas ainda que a poesia não finda
Espera menina
Pelos olhinhos que te faço
Espera menina
Pela estação infinda
Espera menina
Prepara o teu regaço

Esquece os risos e os sorrisos
Esquece o tempo em que tivemos algum tempo
Escuta o barulho dos guizos
Esquece o mau e o bom
Esquece o choro e a lágrima
Escuta a canção e o tom
Esquece os beijos
Esquece o medo e o segredo
Esquece os desejos

Espera menina
Enquanto exploro e desbravo o arvoredo
Espera menina

POEMAS DE AROMA SEM RIMA

São poemas de aromas os que tenho no meu jardim
São danças de cheiros voláteis
Rodopios de alecrim
São doces cheiros de café e canela
São pinceladas de manjerico
Verdejantes na janela
São cheiros e delícias da noite e do dia
É o cheiro do luar que abafa a melodia
Melodiosa a árvore e a folha
Ao vento e sem medo
Escondendo o seu cheiro
No meio do arvoredo
São poemas de aromas os que tenho no meu jardim
São folhas de chá de lima
Doce ou salgado
Seco ou molhado
Na chávena de uma lágrima
São mesmo assim poemas de aroma
São poemas de aroma sem rima
Foto: Manto vermelho - Carlos Afonso (olhares.aeiou.pt)