Avançar para o conteúdo principal

POEMA INCONDICIONAL


Se sou Lua serás luar
Se sou água serás a chuva
Se sou dia serás o Sol
Se sou mão serás a luva
Se sou noite serás farol
Se sou igual serás diferente
Se sou mentira serás verdade
Se sou pensamento serás a mente
Se sou virtual serás a realidade
Se estou aqui estarás ausente
Se sou bom serás a maldade
Se sou amargo serás mel
Se sou doce serás fel
Se sou preto serás branca
Se sou branco serás transparente
Se quero ficar sozinho
Queres estar com toda a gente
Se sou casa serás a rua
Se fores minha serás tua
Se secares ficarei molhado
Quando foges fico aqui
Quero só estar ao teu lado
Se és árvore sou a sombra
Se és dinheiro eu sou a compra
Se o teu dinheiro é pouco
Mesmo assim serei teu troco
Se sou calmo és agitada
Se falo ficas calada
Quando rio ficas séria
Não dás uma gargalhada
Se és corpo sou teu vestido
Se és culpada estou absolvido
Se me amas quero-te
Se me queres choro-te
Se me choras odeio-te
Se me odeias adoro-te

Foto: 229 - Sun&Moon - (olhares.aeiou.pt)

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

POEMA DE INDECISÃO

Se houvesse nos teus olhos um pouco mais de Sol, um pouco de chuva, um pouco mais de vinho, um pouco mais do açúcar da uva. Podia beber-te e saborear-te.

Se não fosse só ilusão a tatuagem na sombra da tua mão, o delírio em que despertas e corres para mim na bruma,
Podia mergulhar, nu, na tua espuma.
Se não tivesse falhado todos os semáforos verdes da estrada, e desbaratado todos os amarelos,
Seria agora livre.
Se tivesse partido as algemas e roído as grades, e olhado os precipícios com sangue de herói,
Seria agora um beijo a voar.
Se tivesse acabado tudo o que comecei, beijado o que não beijei, se tivesse visto o Sol mais cedo,
Seria agora um desvendado segredo.

Foto: Polyommatus icarus - Rui Cardoso (olhares.aeiou.pt)

ESPERA MENINA, PELO BARULHO DOS GUIZOS

Espera menina
Não partas ainda que a poesia não finda
Espera menina
Pelos olhinhos que te faço
Espera menina
Pela estação infinda
Espera menina
Prepara o teu regaço

Esquece os risos e os sorrisos
Esquece o tempo em que tivemos algum tempo
Escuta o barulho dos guizos
Esquece o mau e o bom
Esquece o choro e a lágrima
Escuta a canção e o tom
Esquece os beijos
Esquece o medo e o segredo
Esquece os desejos

Espera menina
Enquanto exploro e desbravo o arvoredo
Espera menina

POEMAS DE AROMA SEM RIMA

São poemas de aromas os que tenho no meu jardim
São danças de cheiros voláteis
Rodopios de alecrim
São doces cheiros de café e canela
São pinceladas de manjerico
Verdejantes na janela
São cheiros e delícias da noite e do dia
É o cheiro do luar que abafa a melodia
Melodiosa a árvore e a folha
Ao vento e sem medo
Escondendo o seu cheiro
No meio do arvoredo
São poemas de aromas os que tenho no meu jardim
São folhas de chá de lima
Doce ou salgado
Seco ou molhado
Na chávena de uma lágrima
São mesmo assim poemas de aroma
São poemas de aroma sem rima
Foto: Manto vermelho - Carlos Afonso (olhares.aeiou.pt)