Avançar para o conteúdo principal

EM CADA AMANHÃ


Em cada amanhã há um hoje para esquecer

Em cada hoje há um ontem para lembrar

Das sombras do sul e do norte

E as nuvens do vento passaporte

Da natureza nobre, dos dias sombrios

Há também a grandeza da sorte

Da sorte de poder ser e viver agora

De poder ver e ler a metáfora

Da nossa vida e da morte

Todos os contos encantadores que ouvimos ou lemos

Que falam e cantam

A rocha batida que jorra

Um amor encerrado na masmorra

O aço pisado que salta

Uma paixão na ribalta

A luz etérea do luar

De um adeus a acenar

De flores das Primaveras

De um mundo de quimeras

Que deixam na boca o gosto amargo

Da laranja agridoce

Que falam de uma vida de hoje

Como se ontem nada fosse

Como de a alegria fosse o correio da dor

E a paixão o correio do amor

Foto: a porta - simao pereira de magalhaes (olhares.aeiou.pt)

1 comentário

Mensagens populares deste blogue

POEMA DE INDECISÃO

Se houvesse nos teus olhos um pouco mais de Sol, um pouco de chuva, um pouco mais de vinho, um pouco mais do açúcar da uva. Podia beber-te e saborear-te.

Se não fosse só ilusão a tatuagem na sombra da tua mão, o delírio em que despertas e corres para mim na bruma,
Podia mergulhar, nu, na tua espuma.
Se não tivesse falhado todos os semáforos verdes da estrada, e desbaratado todos os amarelos,
Seria agora livre.
Se tivesse partido as algemas e roído as grades, e olhado os precipícios com sangue de herói,
Seria agora um beijo a voar.
Se tivesse acabado tudo o que comecei, beijado o que não beijei, se tivesse visto o Sol mais cedo,
Seria agora um desvendado segredo.

Foto: Polyommatus icarus - Rui Cardoso (olhares.aeiou.pt)

ESPERA MENINA, PELO BARULHO DOS GUIZOS

Espera menina
Não partas ainda que a poesia não finda
Espera menina
Pelos olhinhos que te faço
Espera menina
Pela estação infinda
Espera menina
Prepara o teu regaço

Esquece os risos e os sorrisos
Esquece o tempo em que tivemos algum tempo
Escuta o barulho dos guizos
Esquece o mau e o bom
Esquece o choro e a lágrima
Escuta a canção e o tom
Esquece os beijos
Esquece o medo e o segredo
Esquece os desejos

Espera menina
Enquanto exploro e desbravo o arvoredo
Espera menina

POEMAS DE AROMA SEM RIMA

São poemas de aromas os que tenho no meu jardim
São danças de cheiros voláteis
Rodopios de alecrim
São doces cheiros de café e canela
São pinceladas de manjerico
Verdejantes na janela
São cheiros e delícias da noite e do dia
É o cheiro do luar que abafa a melodia
Melodiosa a árvore e a folha
Ao vento e sem medo
Escondendo o seu cheiro
No meio do arvoredo
São poemas de aromas os que tenho no meu jardim
São folhas de chá de lima
Doce ou salgado
Seco ou molhado
Na chávena de uma lágrima
São mesmo assim poemas de aroma
São poemas de aroma sem rima
Foto: Manto vermelho - Carlos Afonso (olhares.aeiou.pt)