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MAS VOLTAREI SEMPRE AO TEU PERFUME DE JASMIM


Devo manter as minhas mãos

E virar a minha cara ao fogo

Devo olhar os meus dias mortos

Fundindo-me em conjunto na escória

E acabar com este triste jogo

Acabar com esta triste e vã história

Ver as cenas depois do meu passado

Fundir minha massa num fogo que se afunda

Como um pássaro branco estranho levado para fora do mar gelado

Como musgo pesado numa árvore fecunda

Como um pássaro do norte distante

Voando de asa partida, ofegante

Que se arrasta e cai no teu jardim

No fundo da minha vida

Vou de lugar em lugar em busca de lançamento

Mas voltarei sempre ao teu perfume de jasmim

Foto: The world exploded into love - João Dias (olhares.aeiou.pt)

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POEMA DE INDECISÃO

Se houvesse nos teus olhos um pouco mais de Sol, um pouco de chuva, um pouco mais de vinho, um pouco mais do açúcar da uva. Podia beber-te e saborear-te.

Se não fosse só ilusão a tatuagem na sombra da tua mão, o delírio em que despertas e corres para mim na bruma,
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Foto: Polyommatus icarus - Rui Cardoso (olhares.aeiou.pt)

ESPERA MENINA, PELO BARULHO DOS GUIZOS

Espera menina
Não partas ainda que a poesia não finda
Espera menina
Pelos olhinhos que te faço
Espera menina
Pela estação infinda
Espera menina
Prepara o teu regaço

Esquece os risos e os sorrisos
Esquece o tempo em que tivemos algum tempo
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Esquece o mau e o bom
Esquece o choro e a lágrima
Escuta a canção e o tom
Esquece os beijos
Esquece o medo e o segredo
Esquece os desejos

Espera menina
Enquanto exploro e desbravo o arvoredo
Espera menina

POEMAS DE AROMA SEM RIMA

São poemas de aromas os que tenho no meu jardim
São danças de cheiros voláteis
Rodopios de alecrim
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Verdejantes na janela
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Escondendo o seu cheiro
No meio do arvoredo
São poemas de aromas os que tenho no meu jardim
São folhas de chá de lima
Doce ou salgado
Seco ou molhado
Na chávena de uma lágrima
São mesmo assim poemas de aroma
São poemas de aroma sem rima
Foto: Manto vermelho - Carlos Afonso (olhares.aeiou.pt)