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peitos e iscas


É justo e direito
Que cada um traga no peito
A isca que merece
Não é justo
Não faz sentido
Que o meu sol respire a tua voz 
Se esgueire pela porta
E fique eu sem saber
de quem é o beijo que escuto no ouvido?

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Outro Natal (outros Natais)

Foto: Raul Cordeiro (Praça da República - Portalegre) Somos construídos de pouca matéria e muita memória De pouco presente e muita história Deram-nos braços para abraçar Beijos para beijar Mãos para dar E um berço de palha para adorar Somos desde sempre fanáticos por estrelas Por caminhos e preces Pela esperança de um dia Pela luz da poesia Nascemos todos os anos no mesmo dia Natal E morremos os outros dias, todos Levantamos e baixamos os braços Dormimos em silêncio Pouco olhamos as estrelas Esmorecemos aos poucos Cavamos túmulos e escrevemos poemas Apregoamos grandes lemas Mas nem usamos os braços para dizer adeus Feliz Natal a todos os meus leitores Obrigado por continuarem a ler...

sou mesmo eu

há apenas um pouco de mim em tudo o que faço há apenas um pouco de mim no que disfarço há apenas um pouco de mim que desfaço há apenas um pouco de mim palhaço o resto sou mesmo eu