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Não há voz, não há sombra

Estou além, atrás da minha sombra
A cantar o bafo do Sol
Apraz-me o prazer que me assombra
A passo lento de caracol
Neste canto débil não há voz
Há apenas o contrário
O som que ouvimos quando estamos sós
Um silêncio estridente, arbitrário
Há um Sol que não brilha aqui
Nem faz a minha sombra
Uma luz que bate em mim e reflui
Uma luz que bate em mim e tomba

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Foto: Raul Cordeiro (Praça da República - Portalegre) Somos construídos de pouca matéria e muita memória De pouco presente e muita história Deram-nos braços para abraçar Beijos para beijar Mãos para dar E um berço de palha para adorar Somos desde sempre fanáticos por estrelas Por caminhos e preces Pela esperança de um dia Pela luz da poesia Nascemos todos os anos no mesmo dia Natal E morremos os outros dias, todos Levantamos e baixamos os braços Dormimos em silêncio Pouco olhamos as estrelas Esmorecemos aos poucos Cavamos túmulos e escrevemos poemas Apregoamos grandes lemas Mas nem usamos os braços para dizer adeus Feliz Natal a todos os meus leitores Obrigado por continuarem a ler...