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NÃO ME PERGUNTEM NADA...

As horas, como todas as coisas mundanas

Têm uma hora em que acabam

Em que fechamos a porta e guardamos a chave

Apagamos a lâmpada

Num gesto suave

E confiamos na sorte que engana

Desisto de qualquer direito

A uma casa que não é minha

Aos vizinhos que não tenho

Da solução da adivinha

Não perguntem o que levo ou deixo

Ou mesmo se me treme o queixo

Não interessa, ora essa

Perguntem apenas se o caminho é largo

Ou estreito

Não me perguntem o que levo na mão

Ou se levo algo

Se vou pela sombra ou pelo sol

Perguntem apenas o que levo no coração

Ou se sigo o canto do rouxinol

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VERSO E REVERSO

Se eu fosse um verso Seria com certeza um verso do inverso Escrito de trás prá frente Ou visto á lupa e á lente Se eu fosse um verso Teria que ter uma poesia para nadar Uma frase para rimar Um texto, um mar pra navegar Se eu fosse um verso Podia rimar com várias poesias Uma nova todos os dias Se eu fosse um verso Só, apenas, um simples verso Monossilábico, mesmo do inverso Seria a só a palavra Que a poesia do verso Quisesse Que fosse Se eu fosse um verso seria um pássaro Que faz das frases ramos E das poesias enganos Se eu fosse um verso Seria eu verso Mesmo do inverso Seria meu E nenhuma poesia reclamaria É meu Mas era se fosse um verso Como não sou verso nem do inverso Sou apenas o inverso do verso Sou o reverso Foto: Rodinhas1. - Ed Ferreira ( olhares.aeiou.pt )

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