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NÃO ME PERGUNTEM NADA...

As horas, como todas as coisas mundanas

Têm uma hora em que acabam

Em que fechamos a porta e guardamos a chave

Apagamos a lâmpada

Num gesto suave

E confiamos na sorte que engana

Desisto de qualquer direito

A uma casa que não é minha

Aos vizinhos que não tenho

Da solução da adivinha

Não perguntem o que levo ou deixo

Ou mesmo se me treme o queixo

Não interessa, ora essa

Perguntem apenas se o caminho é largo

Ou estreito

Não me perguntem o que levo na mão

Ou se levo algo

Se vou pela sombra ou pelo sol

Perguntem apenas o que levo no coração

Ou se sigo o canto do rouxinol

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