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É preciso o sal de um mar inteiro

É preciso que o sal te toque o lábio
E a onda os cabelos
E a sombra defina as tuas linhas
Para que um trevo sábio
Desfaça os novelos
E proteja as pedras onde caminhas
É preciso que voem folhas pequeninas de alecrim
Ou o pó de um móvel antigo
Que se abra a janela
Ou se fechem os olhos
Para que me julgues mandarim
Abras, enfim, o postigo
Comas palavras da gamela
Ou sintas a cama em restolhos
É preciso um mar inteiro de sal
Que seja condição
E não apenas acidental

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