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SÃO DE ÁGUA AS VÉRTEBRAS E DE PEDRA AS LÁGRIMAS


Sei que é duro o ofício e grande o sacrifício

Não pestanejar quando olho o silêncio à minha volta

Quando oiço o que o canto das árvores diz

- Não fazes ninguém feliz

São de água as vértebras e de pedra as lágrimas

Despidos os ramos

Vestidas as lástimas

Sei que é duro o ofício

De nos mantermos à tona de água

Quando o mar nos puxa para baixo

E não podemos levantar a mão e dizer adeus

De termos que assumir o que somos

Em cais de nau naufragada

E somos nada

Um pouco de tudo

E tudo de nada


Foto: escrevo-me(te) - silviafonso (olhares.aeiou.pt)

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VERSO E REVERSO

Se eu fosse um verso Seria com certeza um verso do inverso Escrito de trás prá frente Ou visto á lupa e á lente Se eu fosse um verso Teria que ter uma poesia para nadar Uma frase para rimar Um texto, um mar pra navegar Se eu fosse um verso Podia rimar com várias poesias Uma nova todos os dias Se eu fosse um verso Só, apenas, um simples verso Monossilábico, mesmo do inverso Seria a só a palavra Que a poesia do verso Quisesse Que fosse Se eu fosse um verso seria um pássaro Que faz das frases ramos E das poesias enganos Se eu fosse um verso Seria eu verso Mesmo do inverso Seria meu E nenhuma poesia reclamaria É meu Mas era se fosse um verso Como não sou verso nem do inverso Sou apenas o inverso do verso Sou o reverso Foto: Rodinhas1. - Ed Ferreira ( olhares.aeiou.pt )