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A MINHA PRENDA DE NATAL - Márcio Almeida Júnior

Vale a pena ler

Tenho feito prazerosas viagens aos mares da blogosfera portuguesa. Velejando em praias repletas de diários, coleções de textos próprios e citações, avistei o farol que Raul Alberto Cordeiro construiu para avisar aos navegantes virtuais que a terra de Alberto Caeiro continua em efervescência literária.
E lá, no Alentejo, está Raul, um desses tipos dos quais se pode dizer, sem conhecê-lo, que é uma figura ímpar. No seu "A vida das Palavras" estão servidas iguarias para paladares exigentes. Os pratos que oferece vão de poemas a artigos, passando por reflexões existenciais e citações. Dessa mesa farta, recolhi o trecho abaixo, preparado com uma leveza de tempero que lembra Fernando Pessoa (não o dos heterônimos, mas ele próprio):

Será que o meu amor é como um vazio?
Onde pousam pássaros de todas as cores
Mas só ficam os que fazem ninho
É certo que...
De vez em quando provocam dores
Com suas bicadas devagarinho?

(Corvos)
Em tempo: Raul é bem humorado e mantém outro blog para o que poderíamos chamar de notícias do inusitado. "As notícias mais parvas do dia" reproduz fotos de um peculiaríssimo calendário em que um homem de uns 200 kg faz poses fofas para a câmera...

Viver e Contar - Márcio Almeida Júnior

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VERSO E REVERSO

Se eu fosse um verso Seria com certeza um verso do inverso Escrito de trás prá frente Ou visto á lupa e á lente Se eu fosse um verso Teria que ter uma poesia para nadar Uma frase para rimar Um texto, um mar pra navegar Se eu fosse um verso Podia rimar com várias poesias Uma nova todos os dias Se eu fosse um verso Só, apenas, um simples verso Monossilábico, mesmo do inverso Seria a só a palavra Que a poesia do verso Quisesse Que fosse Se eu fosse um verso seria um pássaro Que faz das frases ramos E das poesias enganos Se eu fosse um verso Seria eu verso Mesmo do inverso Seria meu E nenhuma poesia reclamaria É meu Mas era se fosse um verso Como não sou verso nem do inverso Sou apenas o inverso do verso Sou o reverso Foto: Rodinhas1. - Ed Ferreira ( olhares.aeiou.pt )

AUREA- I Didn't Mean It (Lyrics)

Outro Natal (outros Natais)

Foto: Raul Cordeiro (Praça da República - Portalegre) Somos construídos de pouca matéria e muita memória De pouco presente e muita história Deram-nos braços para abraçar Beijos para beijar Mãos para dar E um berço de palha para adorar Somos desde sempre fanáticos por estrelas Por caminhos e preces Pela esperança de um dia Pela luz da poesia Nascemos todos os anos no mesmo dia Natal E morremos os outros dias, todos Levantamos e baixamos os braços Dormimos em silêncio Pouco olhamos as estrelas Esmorecemos aos poucos Cavamos túmulos e escrevemos poemas Apregoamos grandes lemas Mas nem usamos os braços para dizer adeus Feliz Natal a todos os meus leitores Obrigado por continuarem a ler...