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QUATRO CENTENAS DE PASSOS


Talvez tenha caído 
Num buraco de traços
Num traçado intrincado
Depois de quatro centenas de passos
E de forma desconhecida
Tenha numerado as cores por números
E as tenha pintado fora da vida
Enquanto eu, como uma criança
Tenha preenchido a vacuidade 
E afagado a vaidade
Não importa agora 
Se usei golpes corajosos ou cores selvagens
Se preencho todos os espaços em branco
Se fui filme ou cinema
Revista ou jornal
Prosa ou poema
A clara ou a gema
Se fui história de acordar ou de dormir
De prender ou de fugir
Se fui mar ou porto
Praia ou lodo
Se riste ou choraste
Se calaste ou falaste
A tua fala ou a minha 
Se percebes o esquema
Se gostas de ler esta linha
Continua este poema
Vai...
Foto: wheel of the bicycle - Miguel Afonso (olhares.aeiou.pt)


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VERSO E REVERSO

Se eu fosse um verso Seria com certeza um verso do inverso Escrito de trás prá frente Ou visto á lupa e á lente Se eu fosse um verso Teria que ter uma poesia para nadar Uma frase para rimar Um texto, um mar pra navegar Se eu fosse um verso Podia rimar com várias poesias Uma nova todos os dias Se eu fosse um verso Só, apenas, um simples verso Monossilábico, mesmo do inverso Seria a só a palavra Que a poesia do verso Quisesse Que fosse Se eu fosse um verso seria um pássaro Que faz das frases ramos E das poesias enganos Se eu fosse um verso Seria eu verso Mesmo do inverso Seria meu E nenhuma poesia reclamaria É meu Mas era se fosse um verso Como não sou verso nem do inverso Sou apenas o inverso do verso Sou o reverso Foto: Rodinhas1. - Ed Ferreira ( olhares.aeiou.pt )