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VESTI-ME DE TI


Todas as manhãs
Esperas por mim numa cadeira á beira da cama
Esperas que te dê a tua forma e vaidade
A minha esperança, o meu corpo, a minha alma
Ou apenas a verdade?
Saio da água e estico os braços e pernas
Visto a tua pele na minha
E com tua fidelidade incansável
De saíres de formas eternas
Começo o dia
Estabeleço a poesia
Examino janelas
Homens, mulheres,
Feitos e querelas
E mordido pelos teus fios
Pregados nos meus ossos
Tomas a minha forma e meus vícios
Vazio, pela noite de ofícios
Escuridade, sono, destroços
Povoas com as tuas fantasias
As tuas asas e o meu dono
Pergunto se um dia
Uma bala inimiga
Trespasse nossas peles
Se o meu sangue fica em ti
Ou apenas o repeles

Foto: Deixo ao vosso critério - Gonçalo (olhares.aeiou.pt)

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VERSO E REVERSO

Se eu fosse um verso Seria com certeza um verso do inverso Escrito de trás prá frente Ou visto á lupa e á lente Se eu fosse um verso Teria que ter uma poesia para nadar Uma frase para rimar Um texto, um mar pra navegar Se eu fosse um verso Podia rimar com várias poesias Uma nova todos os dias Se eu fosse um verso Só, apenas, um simples verso Monossilábico, mesmo do inverso Seria a só a palavra Que a poesia do verso Quisesse Que fosse Se eu fosse um verso seria um pássaro Que faz das frases ramos E das poesias enganos Se eu fosse um verso Seria eu verso Mesmo do inverso Seria meu E nenhuma poesia reclamaria É meu Mas era se fosse um verso Como não sou verso nem do inverso Sou apenas o inverso do verso Sou o reverso Foto: Rodinhas1. - Ed Ferreira ( olhares.aeiou.pt )