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TRANSPARÊNCIAS

Ir ou ficar
Na oscilação dos dias ímpares
Amar a minha própria transparência
Saber as tardes a circular nas baías dos mares
Rocha de calma que o mundo silencia
Tudo é visível e alusivo
Tudo está perto e não pode ser tocado
Horizonte vidrado, margem vazia
Tempo pulsando nas minhas repetições de tempos
A luz que reflecte na parede indiferente
E o futuro sagaz
Manhoso e mentiroso
Que na verdade mente

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Foto: Raul Cordeiro (Praça da República - Portalegre) Somos construídos de pouca matéria e muita memória De pouco presente e muita história Deram-nos braços para abraçar Beijos para beijar Mãos para dar E um berço de palha para adorar Somos desde sempre fanáticos por estrelas Por caminhos e preces Pela esperança de um dia Pela luz da poesia Nascemos todos os anos no mesmo dia Natal E morremos os outros dias, todos Levantamos e baixamos os braços Dormimos em silêncio Pouco olhamos as estrelas Esmorecemos aos poucos Cavamos túmulos e escrevemos poemas Apregoamos grandes lemas Mas nem usamos os braços para dizer adeus Feliz Natal a todos os meus leitores Obrigado por continuarem a ler...