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REFLEXOS DE UM QUALQUER SENTIR


Sei que tu sabes que eu sei que sabes como é…

Se olho os teus vidros cristalinos eles reflectem ramos vermelhos

No Outono lento na minha janela

Se toco o teu fogo de perto, bem pertinho

Logo se te enruga o corpo de medo

Bem franzininho

Se descubro os teus aromas, a luz e os metais

Logo se vai o segredo

Num rumo louco para as tuas ilhas marginais

Às vezes penso que posso ser louco e ficar abandonado na costa

Mil dias á espera da resposta

Mas aí penso em velas e barcos

Em mares e ares

Nos teus lábios a buscar-me

No teu nome a chamar-me

No meu amor-próprio

Reconheço, pouco sóbrio

Repito e reacendo os meus fogos interiores

Ligo os meus internos extintores

E parto á procura do motor e do sensório

Dos gestos correctos, dos pensamentos

Do real pouco ilusório

Duma palavra ou um aceno de momentos

Para que possas ver e compreender

Os medos que hão-de vir

E mesmo assim possas continuar a ler este sorrir

Foto: Reflection - Robert Sulintan (www.photo.net)

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