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PARADIGMAS DO OCEANO


Os paradigmas do oceano
Dissolvem-se nos meus olhos
Quando olho para bem longe
Para lá de onde acaba o azul e começa o horizonte
Bem linear e espartano
Mas os meus olhos voltam sempre ao cais

Onde procuram os teus
E quando eles se encontram
Entre vagas transversais
Nas franjas de um oceano eterno
Afogam-se juntos em lágrimas
Na espuma de uma qualquer costa
Na areia de uma qualquer praia
Sem geometria ou governo
É um olhar molhado que ensaio
Com a humidade do nosso suor
Salgado no nosso lábio

Um olhar que quando acaba
Deixa a costa de soslaio
Ou me envolve nas suas profundidades
Para sempre
Foto: Life Guard - Coast Guard Beach - Richard Lalonde (photo.net)

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Se eu fosse um verso Seria com certeza um verso do inverso Escrito de trás prá frente Ou visto á lupa e á lente Se eu fosse um verso Teria que ter uma poesia para nadar Uma frase para rimar Um texto, um mar pra navegar Se eu fosse um verso Podia rimar com várias poesias Uma nova todos os dias Se eu fosse um verso Só, apenas, um simples verso Monossilábico, mesmo do inverso Seria a só a palavra Que a poesia do verso Quisesse Que fosse Se eu fosse um verso seria um pássaro Que faz das frases ramos E das poesias enganos Se eu fosse um verso Seria eu verso Mesmo do inverso Seria meu E nenhuma poesia reclamaria É meu Mas era se fosse um verso Como não sou verso nem do inverso Sou apenas o inverso do verso Sou o reverso Foto: Rodinhas1. - Ed Ferreira ( olhares.aeiou.pt )