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PÁSSARO DE ÁGUAS DOCES



Nos dias distantes, quando cada dia era mais longo

O medo caiu sobre mim e o medo foi forte

Antes que eu tivesse aprendido a recompensa da canção

Nos dias escuros tremi (sabia!) de sorte

Os perigos, perplexidade - o que posso encontrar?

O arco-íris no seu céu de sonho

E na noite, muitas estrelas a fascinar

Coisas escuras inalteradas na luz de dia

Como se de noite de luar fosse

Mar de estrelas como um lago onde amei na chuva doce

Um dia lá vi um pássaro, um tordo negro elegante

Sabia onde ele andou, tal como ele sabia de cor

Silencioso, ele foi, e ainda pareceu cantar

Canções de crianças e Primaveras de amor


Era um pássaro das águas doces que eu conhecia

Foi profundo e doce como uma canção

Que veio da névoa da manhã tardia

Não posso imaginar - a que distância, ele voou em vão

Pois sei que voltará às minhas águas doces

Numa tarde de Verão

Foto: Notas soltas... RAPHAEL o pensativo (olhares.aeiou.pt)

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VERSO E REVERSO

Se eu fosse um verso Seria com certeza um verso do inverso Escrito de trás prá frente Ou visto á lupa e á lente Se eu fosse um verso Teria que ter uma poesia para nadar Uma frase para rimar Um texto, um mar pra navegar Se eu fosse um verso Podia rimar com várias poesias Uma nova todos os dias Se eu fosse um verso Só, apenas, um simples verso Monossilábico, mesmo do inverso Seria a só a palavra Que a poesia do verso Quisesse Que fosse Se eu fosse um verso seria um pássaro Que faz das frases ramos E das poesias enganos Se eu fosse um verso Seria eu verso Mesmo do inverso Seria meu E nenhuma poesia reclamaria É meu Mas era se fosse um verso Como não sou verso nem do inverso Sou apenas o inverso do verso Sou o reverso Foto: Rodinhas1. - Ed Ferreira ( olhares.aeiou.pt )