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TAMBÉM ME CUSTA PODES CRER



Assim gasto e usado pela vida
Olhas para mim com desdém
Como se eu para ti
Já não fosse ninguém

É tão grande a tristeza
De ver-te com esse olhar
Que até de mim próprio
Começo a desdenhar

Estou mais velho do que queria
Também me custa, podes crer
Mas a finalidade da vida
É afinal viver ou morrer

Prefiro viver desdenhado
Gasto e usado pela vida
Desde que a teu lado
Possa fazer a despedida

Foto: Eternamente - Paulo Madeira (olhares.aeiou.pt)

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VERSO E REVERSO

Se eu fosse um verso Seria com certeza um verso do inverso Escrito de trás prá frente Ou visto á lupa e á lente Se eu fosse um verso Teria que ter uma poesia para nadar Uma frase para rimar Um texto, um mar pra navegar Se eu fosse um verso Podia rimar com várias poesias Uma nova todos os dias Se eu fosse um verso Só, apenas, um simples verso Monossilábico, mesmo do inverso Seria a só a palavra Que a poesia do verso Quisesse Que fosse Se eu fosse um verso seria um pássaro Que faz das frases ramos E das poesias enganos Se eu fosse um verso Seria eu verso Mesmo do inverso Seria meu E nenhuma poesia reclamaria É meu Mas era se fosse um verso Como não sou verso nem do inverso Sou apenas o inverso do verso Sou o reverso Foto: Rodinhas1. - Ed Ferreira ( olhares.aeiou.pt )