Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

Vácuo

Foto: Raul Cordeiro É de lá Do alto longe do infinito Que no vácuo Oiço o teu grito É no mesmo ângulo Com que os teus lábios Cantam as palavras Que dobro o nevoeiro Em movimentos sábios Nada eu vejo Para lá Da tua paisagem Nada invento Nada sinto Nada lamento

Poema Nuvem 5

A tua alma à minha voz (letra de música)

Numa voz clara e cristalina Embalas-me nesse teu fado Meu corpo não quer, não espera Fica apenas envergonhado Oiço-te na calma da tarde Veloz e ligeira A tua voz nessa melodia Meus olhos não querem Minha boca não diz Para te ouvir O que eu daria Numa voz doce e singular Fico a ouvir esse teu fado Minha boca não fala, não grita Fico apenas atarantado Quem foi que disse Que se canta fado por vontade E amarrou a guitarra à voz Quem foi Que amarrou o rio à foz E a tua alma à minha voz Numa voz clara e cristalina Embalas-me nesse teu fado Meu corpo não quer, não espera Fica apenas envergonhado Numa voz doce e singular Fico a ouvir esse teu fado Minha boca não fala, não grita Fico apenas atarantado

A meu favor

Foto: Raul Cordeiro A meu favor um vento que sopra verde Da cor secreta Do reflexo a minha parede Uma sombra da árvore da minha vida Um refúgio Um murmúrio A minha guarida Tenho a meu favor a música De uma cidade Um jardim A meu favor tenho-me A mim

Se eu voar (Ao Dia Mundial da Poesia)

Dei-te os melhores anos Dos anos da minha vida Mas tu não és de poucas contas E pedes sempre mais Para mim dar É mesmo dar Sem pensar e sem olhar Se eu voar Vais-me agarrar as asas Se eu voar Voam comigo os sonhos Se eu voar Vais comigo Atirar ao mar As flores para me encontrar Deste-me na palma da mão Os teus sonhos E eu guardei o teu beijo no coração Mas eu não sou de poucas contas E peço-te um chão Um abraço, um beijo E a tua mão Se eu voar Vais-me agarrar as asas Se eu voar Voam comigo os sonhos Se eu voar Vais comigo Atirar ao mar As flores para me encontrar

Silêncio... Proibido (letra de música)

Silêncio Proibido falar Ardem os ponteiros De um tempo por chegar Não sei pedir ao tempo Que chegue devagar Silêncio Proibido calar É na tua voz Que sinto o tempo chegar Quem tem medo Quem cala Quem não guarda A voz em segredo Silêncio Proibido cantar É nestes versos que canto Canções de imaginar E imagino Que é imaginativo pensar Silêncio Proibido imaginar

Ninguém ouve o que digo (letra de música)

Valerá a pena acordar mais cedo Para ficar com os pés fora do cobertor Se o sol nasce todos os dias Mesmo quando não está calor Ninguém ouve o que digo Vou gritar sempre que quiser Cobro a um cêntimo uma lágrima de felicidade Barato ou caro quem sabe Faço saldos em conformidade Antes que suba o preço e o mundo acabe Ninguém escuta o que oiço Vou calar-me se quiser Ando ao vento e à tempestade Tapo a boca e calo-me bem caladinho Não sei se sou o que quero ser Mas sou pelo menos um bocadinho Ninguém ouve o que digo Vou gritar sempre que quiser Ninguém escuta o que oiço Vou calar-me se quiser
Raul Cordeiro enquanto dormias plantei poemas nos meus pensamento e saboreei sozinho o relento

Palavras que saltam (letra de música)

Engulo às vezes em seco o que digo Prendo-me ao verbo Ou salto as palavras Sou do caderno mendigo São as palavras que saltam Tontinhas por cima de mim Saltam-me da língua, velozes As palavras são assim No fim do texto acabado Fico mudo, com medo, talvez Que as palavras me saltem Para dentro de mim outra vez Não vou chorar Nem penso em calar Não vou sorrir Não penso desistir

Amor de Namorar (Republicação)

Amor de namorar É feudo rico de esperança Um reverso e eterno paradoxo Faz doce o mais amargo Torna conhecido o desconhecido Torna liberal o amor mais ortodoxo Num apelo constante à nossa lembrança De namorados apaixonados Lembro sempre nosso coração Num e outro dissolvido Nosso feudo tornou-se campo de trigo De alimento de uma paixão Viver e estar contigo Colher tua seara Deixar arder tua rama No aceiro fértil que nos separa E viver a namorar como no princípio das coisas É desejo que nos reúne No namoro eterno que nos une.

Coincidência de mim

Foto: Raul Cordeiro Tenho cara de vivo Inundada nas minhas lágrimas E nos meus sorrisos No vazio de uma boca sem dentes Aboli todas as mentiras Mesmo aquelas com que me mentes Ou os teus sorrisos indecisos Percebi… Sou uma coincidência Ser eu próprio E escrever a vertigem e a claridade De mim Sou afinal uma grande sombra Que faço ao Sol Um espaço, uma rua Um grito Sou apenas Pela vida Aflito

Num segundo

Foto: Raul Cordeiro Existe uma dimensão absoluta Em tudo o que é perfeito Um centímetro a mais ou menos Na medida mais exata De tudo o que é puro, sem defeito Se um mundo qualquer Coubesse no meu bolso Na medida mais exata Sem transbordar Mesmo à medida Sem queda ou catarata Seria esse o tamanho certo do mundo Que eu podia tirar do bolso E viver Num segundo

Da minha varanda vejo o céu (poesia sem palavras)

s/t

Agora que a meu favor tenho o vento Não colho tempestades Nem aparo veleidades Há tapetes que se estendem E se puxam quando as mentiras Suplantam as verdades

TORGAndo

Haverá ainda neste mundo Algo que anime mais a alma Do que um sonho Sonhado com calma Sonhado e pensado Se colhe assim nos sonhos O futuro Puro e impuro Mais escuro que um muro branco Mais alvo que um muro escuro Por vezes é bom “torgar” E manter desperto E manter o futuro Puro como um deserto ? Ou ser poeta atrás do muro Só e encoberto? Ou na ribalta Nu e descoberto * Miguel Torga (Confiança)

Mudança

Foto: Raul Cordeiro Era um homem simples Que onde tocava a sua mão Em lugar de um desejo Suava realização Era um homem simples Que parou E olhou e avançou Era só mais um homem Que o futuro assombra A quem a vida pede Que haja e pense Mais depressa do que o Sol Formata a sua sombra

golpe de asa

Foto: Raul Cordeiro Se olhares bem Verás que rasgas a pele Antes de chegar à janela E olhas pela vidraça Uma rua sem ninguém E que depois de olhar A rua ri primeiro Que a tua face O teu esgar E que te turva a vista Que não há rasgos Nem cidade Nem idade Nem caminhos a meio Nem saudades de casa Nem telhados Nem pássaros Nem golpes de asa

Poderá algo domar este desejo insondável?

Poderá algo domar este desejo insondável De uma mente Gasta e cansada de hipocrisias Que contra si atentam? Desejosa de novos rios Ávida de desafios De sorrisos nos lábios e futuros sábios Será assim tão difícil mudar o mar E prender as marés? Quem avança e cala as vozes tristes E a fúria? Quem faz abrir o dia Quem? Quem quiser que dance E avance

às vezes há tardes

Foto: Raul Cordeiro Às vezes há tardes que os meus braços Não conseguem abraçar E um grito surdo dos jardins onde passo Há tardes em que levo a chuva no regaço E grito sem a espada desembainhar Enrolo-me sossegado no meu encanto Respondo a mim próprio Falo para dentro E fica mais longínqua a aura do meu canto Precisamos de rosas, espadas e açoites Para fazer da tarde manhã Para fazer de hoje amanhã

Medidas dos dias

Foto: Raul Cordeiro Voltam os poemas ao meu chão De forma fixa e ladrilhada Como uma figura geométrica Que mede os dias De nunca acabar É neles que afago o ego Que olho as estrelas Que me afago e aconchego São só palavras, eu sei Entretenga da alma Mas são eles os meus dias Da minha mente A calma Os esquemas Os meus poemas